26 março, 2010

Forma de Inocência

Hei-de morrer inocente
Exactamente
Como nasci.
Sem nunca ter descoberto
O que há de falso ou de certo
No que vi.

Entre mim e a Evidência
Paira uma névoa cinzenta.
Uma forma de inocência,
Que apoquenta.

Mais que apoquenta:
Enregela
Como um gume
Vertical.
E uma espécie de ciúme
De não poder ser igual.

"Poesias Completas" - António Gedeão

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