10 maio, 2010

Aravind Adiga - "O Tigre Branco"

“O Tigre Branco” (Ed. Presença), romance de estreia de Aravind Adiga, premiado com o Man Booker Prize 2008, é um retrato duro, sarcástico e mordaz do sistema social de castas na Índia.
É com muito humor negro que o protagonista/narrador, Balram Halwai, conhecido como Tigre Branco, ou, como ele se intitula “indiano mal-amanhado, empresário autodidacta, homem de acção e de mudança”, vai relatar a história da sua vida ao primeiro-ministro chinês, pouco dias antes de uma visita deste a Bangalore “para aprender como criar uns quantos empresários chineses”, dando-lhe a conhecer o segredo do sucesso da sua vida empresarial e a verdade sobre o “milagre económico” indiano, na era da globalização.
“Ao que consta, senhor, vocês os chineses, encontram-se muito adiantados em relação a nós em todos os aspectos, à excepção de não terem empresários. E a nossa nação, apesar de não ter água potável, nem electricidade, nem sistema de esgotos, nem transportes públicos, nem regras de higiene, nem disciplina, nem boas maneiras, nem pontualidade, verdade seja dita que empresários não lhe faltam. São aos milhares”.
“Se eu estivesse a construir um país, começava pelas canalizações dos esgotos, passaria depois à democracia e só então andaria por aí a distribuir panfletos e estátuas de Gandhi às pessoas”.
Balram, nado e criado na “Índia da Escuridão”, o interior miserável da Índia, não se conforma com o papel que lhe está destinado e parte em busca de uma nova vida na “Índia da Luz”. No trajecto da aldeia para a cidade trabalha numa casa de chá onde faz um “trabalho com uma desonestidade, uma falta de dedicação e uma falsidade quase absolutas” que se revelará “uma experiência profundamente enriquecedora”.
Em Deli torna-se motorista de uma família rica, comete um crime, apodera-se do dinheiro do patrão e dali em diante “a história irá tornar-se muito mais escura” – narrando como “fui corrompido e, de idiota gentil e inocente da aldeia, me transformei num indivíduo citadino a tresandar a deboche, depravação e maldade”.
Vislumbra, então, uma oportunidade de negócio. Monta uma empresa de aluguer de automóveis para transporte dos empregados das empresas de subcontratação, que à noite trabalham na Índia para os americanos através do telefone.
Tem a cabeça a prémio, suborna a polícia, sabe que “ser apanhado é sempre uma possibilidade a ter em conta” na Índia. “Podemos dar aos polícias todos os envelopes… se eles quiserem podem sempre lixar-nos”.
O que lhe reserva o futuro?
Fabuloso!
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