11 novembro, 2010

Velhice amargurada

“Para a sociedade, a velhice aparece como uma espécie de segredo vergonhoso, do qual é indecente falar.”(1)

Gosto de admirar rostos sulcados de rugas.
Cada sulco revela um tesouro de experiências, lembranças, alegrias, tristezas. Mas também muita solidão, preocupação e dor. Muita dor.
A alma e o coração de um velho estão retratados no seu rosto, qual tela do maior pintor.
A riqueza incomensurável das suas lembranças deveria ser valorizada e transmitida de forma digna aos jovens. Jovens que serão os futuros velhos. (como eles se esquecem disso)
Infelizmente, nesta sociedade consumista e apressada, os valores da família são facilmente descurados e os velhos são abandonados e esquecidos em hospitais, lares e depósitos de seres humanos debilitados, localizados tão longe da vista, como já estão do coração. Não passam de carga que é necessário despachar.
Depois de levados para um lar, pago com a pensão de velhice do próprio velho, há que dar moradas e telefones falsos para não serem incomodados. Há que fugir e esquecer quem lhes deu a própria vida, quem os acarinhou em criança, quem os apoiou na adolescência, quem os aconselhou na idade adulta. (como eles se esquecem disso)
Como irão esses homens ser tratados no futuro, pelos seus próprios filhos?
Com dignidade?
Com respeito?
(1) Simone de Beauvoir (1908-19869)

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