19 agosto, 2010

O regresso (anual) às origens

Chegou o Agosto.
Como tem acontecido há já vários anos, mais uma vez fui passar uns dias ao lugar onde nasci e onde estão aqueles que me deram a vida: a minha mãe, que habita na casa herdada dos meus avós, e o meu pai, que há 12 anos descansa em paz num jazigo no cemitério local.
A viagem anual coincide com as festas da terra e custa-me imaginar a minha mãe triste e sozinha, numa altura em que todos os habitantes da vila rejubilam com os familiares que chegam de longe.
Ainda não falhei um ano, desde o falecimento do meu pai.
É a minha semana da confusão de sentimentos: alegrias desmedidas, tristezas sem fim, encontros festivos, saudades doridas, recordações partilhadas, promessas anunciadas.
Este ano a minha mãe rejubilou de alegria. Primeiro porque o neto apareceu, com a mulher, e soube que vai ser bisavó (logo, eu vou ser avó…), segundo, porque as obras que fez em casa agradaram a toda a família.
Foram uns dias muito agradáveis, apesar do calor por vezes insuportável e dos excessos cometidos: muita comida, muita bebida, muitas horas sem dormir.
No terraço remodelado, junto de uma parreira bem tratada, saboreámos petiscos, encadeámos conversas, cheirámos as rosas, admirámos os cachos de uvas, derramámos o olhar no horizonte, vibrámos com a música pimba dos altifalantes, sobressaltámo-nos com o ribombar dos foguetes, vimos passar as bandas de música e a procissão.
Há ali lugar para todos: familiares, amigos e conhecidos.
Dali vejo o mundo.
Para o ano lá estarei para festejar mais uma festa.

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