10 dezembro, 2010

Presépio -Natal 2010

Pintei mais um presépio.
Este é para a minha mãe.
Posted by Picasa

08 dezembro, 2010

Mãe Benilde P.

Em Março de 1975, grávida de 4 meses, regressei a Portugal com o V.
Lisboa, cidade onde não tinha familiares nem amigos, era uma cidade fria, cinzenta, com gente triste, antiquada, apressada e de poucas palavras, que chamava “retornados” aos regressados.
A cidade de onde eu vinha era solarenga, luminosa, alegre, com gente trabalhadora, amiga, companheira e muito alegre. Deixei lá os meus pais, a minha irmã e todos os meus amigos.
Às duas da madrugada, do primeiro dia da primavera, desci as escadas do avião, gelada pelo frio intenso (o casaco que vestia era fresco de mais para aquela noite gelada) e expectante sobre o que e quem iria encontrar quando pisasse o solo do país onde tinha nascido mas onde não tinha crescido.
No aeroporto aguardavam-me os meus sogros e os meus cunhados. Nunca os havia visto antes.
Logo ali me perdi no olhar meigo e na doçura do sorriso daquela sogra pequenina e muito mais velha do que a minha mãe.
Logo ali senti que iria ser feliz junto deles.
Fui viver para casa dos meus sogros, gente humilde, trabalhadora, honesta e muito, muito amiga dos filhos, noras e netos.
Viviam em grande harmonia, numa casa pequenina mas confortável onde os aromas da cozinha se misturavam com o elixir do amor, do carinho e da partilha com os outros.
De início chorei lágrimas sem fim e escrevi cartas gigantescas, mas rapidamente me senti na minha própria casa.
A preocupação deles era verdadeira e o carinho não tinha fim.
Eu era para eles a filha que não tiveram (tinham dois filhos) ou mesma a neta (tinham dois netos e eu carregava em mim mais um). Anos mais tarde dei-lhes o que eles tanto desejavam: uma neta.
O meu sogro, homem de fortes convicções políticas, de quem um dia falarei, era contido na manifestação de sentimentos. Um passado de muitas dificuldades tornou-lhe o rosto duro, as mãos calejadas, o corpo cansado. Mas tinha um coração de ouro.
Já a minha sogra….
Ela era uma mulher pequenina, que amava os seus com uma força de gigante, doce como o mel, uma fada do lar. Fazia um arroz doce inigualável. E quando descobriu que era a minha sobremesa preferida, repetia, repetia, repetia. E eu comia, comia, comia. Engordei 16 quilos nos quatro meses que vivi com ela.
Mimava-me tanto, mas tanto, que dei por mim a fazer comparações com o mimo que a minha mãe me dera e era, de longe, a minha sogra que ganhava.
Anos mais tarde um divórcio afastou-me dela. Estupidamente fui eu que me afastei e nunca ela. Foi com muita tristeza que soube da sua morte. Arrependida por não ter estado mais vezes com ela, acompanhei-a à sua última morada.
Tinha a certeza de ter perdido uma pessoa que me amou como só se ama um filho. Uma pessoa que deixou marcas profundas na minha memória.
Hoje era o dia do seu aniversário.
Anos mais tarde encontrei uma outra sogra, de quem falarei noutra altura, que também me aceitou e mimou.
Que grandes mulheres.

P.S. Tive duas sogras maravilhosas. Penso que também fui para elas uma boa nora.

04 dezembro, 2010

Avisto coisas lindas da minha janela...

Sábado - 07.15 horas.
Abri a janela do meu quarto e assisti a este espectáculo deslumbrante - o nascer do sol.

Imaginei um dia de sol maravilhoso. Transformou-se num dia cinzento, chuvoso e muito ventoso.
Ao longo do dia, no aconchego do lar, recordei o que vi, registei e divulguei.

02 dezembro, 2010

Presépio - Natal 2010

Este pintei para mim.
Marfinite e acrílico.

Posted by Picasa

30 novembro, 2010

Admirei e captei...

Passou... e marcou....
Quem?
Posted by Picasa

29 novembro, 2010

A amizade cultiva-se?

Não tenho dificuldade em fazer amizades.
Tenho dificuldade em manter as amizades.
Porquê?
Será que a culpa é só minha?
Já tive muitas amigas (pensava eu…), colegas e conhecidas que viveram comigo bons e maus momentos, numa ajuda mútua, sem outro interesse que não fosse a partilha de experiências, o desabafo sem censura, a busca de soluções para problemas que nos pareciam irresolúveis.
De repente… tudo acabou.
Afastei-me eu? Afastaram-se todos os outros?
Sei que sou exigente com os amigos.
Mas também sou sincera, leal e disponível. E gosto dos meus amigos. Muito.
Não sou tímida. Mas sempre me custou tomar a iniciativa do contacto, do convite, do aparecer.
Hoje estou sozinha.
Não me esqueci dos amigos, mas fechei-me demasiado no meu espaço sem sentido.
Eles também silenciaram. Mas estão lá. Atentos. Tenho a certeza.
A vida segue imparável, fria, devoradora dos laços que julgámos fortes.
Não tenho dificuldade em fazer amizades.
Gosto dos meus amigos e sei que eles também gostam de mim. Não os rejeitei. Só os afastei.
Talvez demasiado.

23 novembro, 2010

Portugal, o meu país

No meu país já viveu um povo pobre mas destemido,
que em caravelas, e sem temor, rasgou horizontes e achou novas terras e outras gentes.
Um povo orgulhoso, que levou o nome de Portugal para lugares distantes de África, Ásia e América
e deu novos mundos ao mundo.
“Por toda a Terra se ouvem as suas vozes e até aos confins do mundo ressoam as suas palavras” (Damião de Góis)
Hoje, no meu país vive um povo menos pobre mas acobardado,
enganado por governos incompetentes, interesseiros, sem escrúpulos.
Um povo desiludido mas incapaz de se libertar do que não deseja,
consciente dos jogos de poder e de domínio que só o prejudicam,
que vive aterrorizado mas, ainda assim, despreocupado.
É fado!
Posted by Picasa

22 novembro, 2010

Admirei e captei...

Hoje, 10.00 horas, numa praia de Cascais.
Posted by Picasa

Ódio, sentimento hediondo

“É vital resistir ao ódio, esse flagelo que arrasa o espírito e faz desaparecer a alegria, dando ao rosto mais harmonioso uma expressão hedionda. A ira perturba o nosso equilíbrio físico. Perdemos o sono e o apetite, envelhecemos prematuramente. Destruímo-nos e destruímos os outros.”(1)

Alguns dicionários definem o ódio como um intenso sentimento de raiva, rancor profundo, antipatia, repulsa, horror.
Tudo palavras repelentes que encontramos, vezes sem conta, nas relações sentimentais e nas relações sociais.
Nas relações sentimentais, com demasiada facilidade o amor se transforma em indiferença, e mesmo em ódio. A forma deficiente como comunicamos uns com os outros, a forma fria como transmitimos os afectos, provoca desilusão e afastamento.
Nas relações sociais, o ódio manifesta-se nos fanatismos religiosos, com consequências trágicas; nos conflitos raciais, com fronteiras marcadas por preconceitos, e intolerâncias; nos grupos organizados, onde a agressividade sobrevive pelo poder do colectivo.
Não odeio nada, nem ninguém.
Afasto-me de comportamentos destrutivos.
Fujo de venenos emocionais.
(1)”Como um relâmpago rasgando a noite” – Dalai-lama, ed. Instituto Piaget

Admirei e captei...

Admirei a beleza do azul do mar, do azul da piscina, do azul do céu,nas primeiras horas da manhã.A calma contrastava com o bater extasiado do meu coração.Era um momento único.
E só meu!
México - Riviera Maya (2008)

19 novembro, 2010

Admirei e captei...

No meio mais agreste a flor amarela encontrou o seu espaço.
Turquia (2009)
Posted by Picasa

18 novembro, 2010

Coleccionar - bonecas típicas dos locais por onde já andei

Não tenho espírito de coleccionadora, mas isso não significa que não vá amontoando coisas e coisinhas por todos os cantos da casa.
O meu prazer no coleccionar (ou amontoar…) é o de guardar memórias de momentos, de locais, de sentimentos, de razões que me levaram a optar por isto ou aquilo, e isso basta-me.
O que gosto eu de coleccionar?
Sei lá… ímanes para o frigorífico, bonequinhas típicas dos países onde já estive, caixinhas e pratos da Vista Alegre, caixinhas em casquinha, molduras em estanho (adoro!), marcadores para os livros, livros (não só colecciono como leio…), discos, lenços, cachecóis, luvas, carteiras, sapatos, chapéus-de-chuva, óculos de sol, pulseiras, relógios, etc., etc., etc.
Por exemplo, as bonecas típicas dos locais por onde já andei – gosto de as olhar, de admirar os vestidinhos cuidadosamente confeccionadas, os acessórios que as identificam com o país de origem, a cor, o tamanho, a expressão conseguida num rosto de barro, de plástico, de tecido ou de cartão.
Gosto delas pequeninas, coloridas e sem luxos aparatosos.
Ao comprá-las, encanto-me com a sua beleza e antecipo o prazer de as admirar no aconchego da minha casa.
Ao olhá-las, mais tarde, recordo os pormenores inesquecíveis do momento da compra.
Recordo que a boneca da Turquia foi comprada a um garoto que, envergonhadamente, se aproximou de nós quando o autocarro parou numa povoação pequena e pobre do interior do país. Com um enorme sorriso no rosto, mostrou as bonecas e pediu um euro por cada uma. De imediato esgotou o stock. Afastou-se, sorriu e acenou sem parar. É uma das mais belas da minha colecção.
Bonecas típicas - ao admirá-las, relembro os sítios maravilhosos por onde já andei, antecipo a felicidade de novas partidas e imagino a beleza feminina num mundo em paz, sem fome, sem sofrimento, sem lágrimas.

17 novembro, 2010

Parabéns pai

Parabéns pai, pelo teu 83º aniversário
Hoje, vou acariciar o teu cabelo branco
vou pegar na tua mão trémula e envelhecida
vou sentir o calor do teu abraço
vou beber as tuas palavras sábias
vou ouvir os teus ensinamentos valiosos
vou deslumbrar-me com a tua sublime serenidade.

Hoje, vou continuar a lidar com a tua morte.
Mal!

Presépio - Natal 2010

Pintei para a minha filhota...
Marfinite, pintado a acrílico.


Posted by Picasa

16 novembro, 2010

Terça-feira poética

Escada sem corrimãoÉ uma escada em caracol
E que não tem corrimão.
Vai a caminho do Sol
mas nunca passa do chão.

Os degraus, quanto mais altos,
Mais estragados estão.
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de lição.

Quem tem medo não a sobe.
Quem tem sonhos também não.
Há quem chegue a deitar fora
o lastro do coração.

Sobe-se numa corrida.
Correm-se p’rigos em vão.
Adivinhaste: é a vida
a escada sem corrimão.
“Obra poética 1948-1988” – David Mourão-Ferreira, ed. Presença

15 novembro, 2010

Bom dia, senhor vizinho

“Os bons vizinhos fazem parte da família.”(1)
Onde nasci, numa zona montanhosa do interior português, fria, agreste, de invernos rigorosos e verões escaldantes, os vizinhos estão sempre presentes, atentos, disponíveis, firmes como rochas, substitutos dos nossos familiares ausentes, confidentes, protectores. Ali os vizinhos são amigos para toda a vida. (Claro que há excepções, mas essas não me interessam).
Onde cresci, num país banhado por um oceano de águas cristalinas e quentes, os vizinhos eram amigos, sempre de portas abertas para um convívio animado numa simples varanda, num terraço fresco ou num quintal alargado. Eram ouvintes atentos para um desabafo, um desalento, uma confidência. Eram companheiros e amigos para toda a vida. Nada se escondia aos vizinhos. Eles estavam sempre atentos, sem se imiscuírem na nossa vida, controlavam discretamente e opinavam acertadamente, sugeriam, protegiam. Nunca condenavam. Apenas aconselhavam.
(A fuga apressada do país em guerra desfez esses laços, em alguns casos irremediavelmente).
Onde vivo agora, os elevadores são o único lugar onde nos cruzamos com os vizinhos. As relações são demasiado cordiais e o simples bom dia é dado de olhos no chão, envergonhadamente ou indiferentemente, evitando, assim, que vejamos sequer a cor dos olhos de quem vive tão próximo de nós. Ao nosso lado, vive-se, morre-se e ninguém pede ajuda, ninguém pede consolo. Até os soluços são abafados.
Nas reuniões de condomínio, demasiado formais, ouvimos nomes que esquecemos de imediato, sem tempo para os associarmos ao piso e apartamento. As conversas são informais, frias, distantes. No final todos regressam às suas casas estanques, para continuarem a viver fechados ao convívio e à partilha, numa mesquinhez histérica e irracional.
Que tristeza!
(1) Provérbio português

Admirei e captei...

Espanta-espíritos. Será que resulta?
Turquia (2009)
Posted by Picasa

13 novembro, 2010

Sábado, dia do conto...

O riso
“Um monge vivera os últimos anos da sua velhice na mais absoluta paz. Encontrava-se no seu leito, agonizante, e os seus colegas do mosteiro choravam à sua volta. De repente, o monge lançou três sonoras gargalhadas.
- Irmão – sussurravam os monges -, como se pode rir se nós estamos a chorar?
- A primeira gargalhada foi pelo vosso medo da morte; a segunda, porque não estão preparados para enfrentá-la; e a terceira porque eu passo da fadiga ao descanso e vocês, em vez de se alegrarem, andam por aí a choramingar.
Dito isto, fechou os olhos aprazivelmente e expirou.

A morte faz parte da vida. Uma e outra correspondem-se e complementam-se. Não é fácil relacionarmo-nos com a morte e, menos ainda, afrontá-la com equanimidade. Mas a morte pode encarar-se como conselheira e pode ajudar-nos a superar a nossa petulância, os apegos tolos e as mesquinhices."
“Os Melhores Contos Espirituais do Oriente” – Ramiro Calle, ed. A esfera dos livros

11 novembro, 2010

S. Martinho

Gosto de castanhas assadas
Gosto de castanhas cozidas, com erva-doce
Gosto de castanhas cruas
O prazer de as ir descascando e comendo é estupendo
Acompanhadas com um cálice de Porto, o prazer é incomparável
Com uma companhia perfeita e uma conversa agradável, então, o prazer passa a ser extraordinário
Castanhas, vinho do Porto, boa companhia… uma receita deliciosamente simples para uns momentos de felicidade.

Velhice amargurada

“Para a sociedade, a velhice aparece como uma espécie de segredo vergonhoso, do qual é indecente falar.”(1)

Gosto de admirar rostos sulcados de rugas.
Cada sulco revela um tesouro de experiências, lembranças, alegrias, tristezas. Mas também muita solidão, preocupação e dor. Muita dor.
A alma e o coração de um velho estão retratados no seu rosto, qual tela do maior pintor.
A riqueza incomensurável das suas lembranças deveria ser valorizada e transmitida de forma digna aos jovens. Jovens que serão os futuros velhos. (como eles se esquecem disso)
Infelizmente, nesta sociedade consumista e apressada, os valores da família são facilmente descurados e os velhos são abandonados e esquecidos em hospitais, lares e depósitos de seres humanos debilitados, localizados tão longe da vista, como já estão do coração. Não passam de carga que é necessário despachar.
Depois de levados para um lar, pago com a pensão de velhice do próprio velho, há que dar moradas e telefones falsos para não serem incomodados. Há que fugir e esquecer quem lhes deu a própria vida, quem os acarinhou em criança, quem os apoiou na adolescência, quem os aconselhou na idade adulta. (como eles se esquecem disso)
Como irão esses homens ser tratados no futuro, pelos seus próprios filhos?
Com dignidade?
Com respeito?
(1) Simone de Beauvoir (1908-19869)

10 novembro, 2010

Presépio - Natal 2010

O Natal está a chegar
Começei a pintar presépios.
Este, em marfinite, pintado a acrílico, foi oferecido à F.

09 novembro, 2010

Terça-feira poética

O silêncio
Pego num pedaço de silêncio. Parto-o ao meio,
e vejo saírem de dentro dele as palavras que
ficaram por dizer. Umas, meto-as num frasco
com o álcool da memória, para que se
transformem num licor de remorso; outras,
guardo-as na cabeça para as dizer, um dia,
a quem me perguntar o que significam.
Mas o silêncio de onde as palavras saíram
volta a espalhar-se sobre elas. Bebo o licor
do remorso; e tiro da cabeça as outras palavras
que lá ficaram, até o ruído desaparecer, e só
o silêncio ficar, inteiro, sem nada por dentro.
A matéria do poema” – Nuno Júdice, ed. Dom Quixote

08 novembro, 2010

Silêncios sofridos

“Há algo de ameaçador num silêncio muito prolongado”(1)

É difícil explicar o que sinto quando me respondem com silêncios.
É difícil explicar o que sinto quando me impõem silêncio.
Mesmo sabendo que o silêncio se deve ouvir com atenção, eu gosto de uma boa conversa, ruidosa, atribulada, construtiva, verdadeira.
Gosto do silêncio, quando a minha boca se perde na tua e não sobram palavras.
Também gosto do silêncio, quando os meus olhos se cruzam com os teus na urgência dos momentos ardentes.
E como gosto, do silêncio disfarçado do deslumbramento…
Não gosto de julgar silêncios.
Não gosto de antecipar silêncios.
Gosto de ouvir palavras de amor.
Gosto de palavras.
Faladas.
(1) “Antigona”, Sófocles

Que saudades de um banho de mar...

 

05 novembro, 2010

O que é o amor?

“O amor é a necessidade de abraçar com muita força alguém e de querer estar sempre a seu lado. É o desejo de esquecer o mundo exterior quando se abraça esse alguém. É o desejo de descobrir um refúgio seguro para a alma.” (1)

É bom amar.
E então quando somos correspondidos, não é bom, é óptimo.
Não há nada melhor que um abraço apertado, um beijo ardente, ou um simples olhar malicioso trocado com quem amamos.
Todos queremos ser amados e fazemos tudo para o conseguir. Infelizmente nem sempre usamos as melhores armas.
Por vezes os amores são perfeitos, verdadeiros, intensos.
Quando amamos e somos amados, sentimo-nos inspirados, felizes, apreciamos a vida, enfrentamos melhor as situações desagradáveis.
Mas…, por vezes, os amores são sofridos, dramáticos, angustiantes, incompreendidos, destroem a nossa vida, tornam-nos amargos, desconfiados, silenciosos.
E quando o amor silencia, está morto.
Há que escolher outro caminho.
(1) “A Vida Nova” – Orhan Pamuk, ed. Presença

04 novembro, 2010

Por onde andei - Índia

Ganges River
Este ano o destino de férias foi a Índia.
Tirei inúmeras fotografias.
Quero partilhar com todos o que gostei e o que não gostei, num enorme país de contrastes impressionantes.
Aguardem.

03 novembro, 2010

Inveja, a máscara dos falhados

“Se, em vez de nos concentrarmos na nossa obra, começamos a pensar naqueles que tiveram êxito e nos atormentarmos invejando-os, perdemos a nossa frescura interior e tornamo-nos surdos e cegos. Já não vemos aquilo que valemos, já não nos sentimos estimulados a melhorar, já não conseguimos aprender”. (1)

No decurso da vida conheci pessoas – família, amigos, colegas – que gastavam mais tempo a invejar os bens materiais, os atributos físicos e as qualidades morais dos outros, do que a esforçarem-se para obterem, para eles, o mesmo ou mais ainda.
O mais estranho é que algumas dessas pessoas não tinham necessidade de invejar fosse o que fosse, fosse quem fosse, pois tinham a vida quase perfeita.
Então porque o faziam?
Porque queriam ser os maiores, os melhores, os únicos?
Nunca percebi porque uma colega invejava o meu novo anel de prata, quando ela tinha dois de ouro.
Nunca percebi porque uma amiga invejava o meu carro utilitário novo, quando ela conduzia um topo de gama.
Nunca percebi porque um familiar invejava a minha microempresa, quando a dele valia milhões.
Sem respostas, habituei-me a desfilar, indiferente, o brilho do meu optimismo, a energia positiva da minha vida, o sorriso de gratidão pelo que tenho, pelo que sou.
Mas isso faz “roer”, ainda mais, os invejosos. Os falhados da vida. Os incompetentes.
Nunca invejei algo de alguém. Assim ensinei os meus filhos.
(1) “Os Invejosos” – Franceso Alberoni, ed. Bertrand

Acabou o verão...

Posted by Picasa

02 novembro, 2010

Terça-feira poética

Numa disciplina
Numa disciplina constante procuro a lei da
liberdade medindo o equilíbrio dos meus passos.

Mas as coisas têm máscaras e véus com que
me enganam, e, quando eu um momento espantada
me esqueço, a força perversa das coisas
ata-me os braços e atira-me, prisioneira de
ninguém mas dó de laços, para o vazio horror
das voltas do caminho.
Obra poética I” – Sophia de Mello Breyner Andresen, ed. Círculo de Leitores

Avisto coisas lindas da minha janela...

01 novembro, 2010

E se pudéssemos escolher a nossa família?

Sem qualquer hipótese de escolha nascemos no seio de uma família já constituída pelos nossos pais, tios, primos, avós, e bisavós.
Os nossos pais podem ter, ainda antes de nós nascermos, expectativas quanto à pessoa que gostariam que fossemos.
Por vezes as expectativas geram desilusões.
E começam logo com o nascimento de uma rapariga, quando preferiam um rapaz.
(Também acontece o inverso, uma colega minha, há muitos, muitos anos, convenceu-se de tal maneira de que iria dar à luz uma rapariga que quando nasceu um rapaz se virou para o médico e disse: Que desgosto! Resposta pronta do médico: Não quer deite no lixo. Aprendeu a lição e rapidamente se tornou numa mãe exemplar).
E continuam quando optamos por estudar direito e eles preferiam ter um filho médico.
E continuam quando escolhemos para casar este e eles preferiam aquele.
E continuam, e continuam.
Mas também acontece serem os filhos a desiludirem-se com os progenitores. Com os tios. Com os primos. Com os avós.
Isso são outras histórias...

31 outubro, 2010

Voltei...

Na minha ausência

viajei
admirei
fotografei
pintei
sonhei
amei
esperei
chorei

... e voltei

21 agosto, 2010

Força Fandy

Desejo que rapidamente ultrapasses os momentos difíceis que estás a viver.
Não consigo sequer imaginar o teu sofrimento, o que me faz sentir uma estranha sensação de impotência, preocupação e revolta. Queria transmitir-te palavras sábias que te dessem força e atenuassem a tua dor. Não as sei.
Mas tu, como a figueira imponente que te viu crescer, tens uma força interior que te ajudará a vencer. Apenas tens que encontrar nas tuas raízes a arte de viver e a coragem para seguires em frente, ainda mais forte.
Há muitos, muitos anos, li numa revista, cortei e guardei um conselho para uma vida saudável, de Michio Kushi, 76 anos, líder da comunidade macrobiótica internacional, que dizia assim: “amar muito; dar um passeio ao ar livre; deitar-se antes da meia-noite; beber água fresca; cantar uma canção em voz alta, todos os dias.”
Penso que apenas te falta descobrir a canção certa e treinar a voz. Nisto não te poderei ajudar. Desafinarei à primeira nota.
Eu e o C. vamos para longe por uns dias. Os nossos pensamentos e os nossos corações estarão contigo.
Prometo procurar para te trazer, o néctar da energia, da alegria, da felicidade e da longevidade.
Força!
Posted by Picasa

19 agosto, 2010

Avisto coisas lindas da minha janela...

Mealheiro

Pintei mais um mealheiro.
Este é para a Patrícia, a minha nora, que vai ser mãe do meu primeiro neto.
As cores foram escolhidas por ela.
Quando estiver bem cheio de notas e moedinhas ela pode parti-lo, que eu pintarei outro ainda mais colorido.
Ela merece.
Posted by Picasa

O regresso (anual) às origens

Chegou o Agosto.
Como tem acontecido há já vários anos, mais uma vez fui passar uns dias ao lugar onde nasci e onde estão aqueles que me deram a vida: a minha mãe, que habita na casa herdada dos meus avós, e o meu pai, que há 12 anos descansa em paz num jazigo no cemitério local.
A viagem anual coincide com as festas da terra e custa-me imaginar a minha mãe triste e sozinha, numa altura em que todos os habitantes da vila rejubilam com os familiares que chegam de longe.
Ainda não falhei um ano, desde o falecimento do meu pai.
É a minha semana da confusão de sentimentos: alegrias desmedidas, tristezas sem fim, encontros festivos, saudades doridas, recordações partilhadas, promessas anunciadas.
Este ano a minha mãe rejubilou de alegria. Primeiro porque o neto apareceu, com a mulher, e soube que vai ser bisavó (logo, eu vou ser avó…), segundo, porque as obras que fez em casa agradaram a toda a família.
Foram uns dias muito agradáveis, apesar do calor por vezes insuportável e dos excessos cometidos: muita comida, muita bebida, muitas horas sem dormir.
No terraço remodelado, junto de uma parreira bem tratada, saboreámos petiscos, encadeámos conversas, cheirámos as rosas, admirámos os cachos de uvas, derramámos o olhar no horizonte, vibrámos com a música pimba dos altifalantes, sobressaltámo-nos com o ribombar dos foguetes, vimos passar as bandas de música e a procissão.
Há ali lugar para todos: familiares, amigos e conhecidos.
Dali vejo o mundo.
Para o ano lá estarei para festejar mais uma festa.