11 maio, 2011

Estou triste...

O despertador tocou às 05.00 horas, mas já estávamos acordadas desde as 4.30 horas.
Tomámos um pequeno-almoço rápido e silencioso e partimos para o aeroporto.
O sol ainda não raiara no horizonte. O mar azul, das praias da linha, ainda estava cinzento.
Havia pouco trânsito nas ruas. O trajecto fez-se sem quaisquer contratempos.
Estacionei num dos parques da zona das partidas, depois de descobrir a entrada, mal sinalizada.
Procurámos o balcão para o check-in – 37 a 41.
Foi tudo muito rápido.
Tivemos tempo para tentar uma última conversa, à mesa de um café. Não resultou.
Não comemos, não bebemos e pouco falámos. Só nos olhámos.
Até que chegou a hora da despedida.
Ela dirigiu-se para a fila das entradas.
Eu fiquei ao lado dela.
Chegou a vez de ela entrar. Despedimo-nos.
Eu fiquei a vê-la afastar-se.
Eu fiquei à espera de um último aceno.
Eu fiquei à espera de um último olhar.
Ela não acenou, porque não olhou para trás.

Foi assim que iniciei o meu dia.
Levei a minha filha ao aeroporto para que ela partisse deste país adiado, deste país malfadado, deste país que maltrata os jovens com formação académica superior.
Hoje, ela passou a fazer parte da longa lista de jovens licenciados que, por falta de oportunidades profissionais no seu país, são obrigados a partir.
Licenciada em Serviço Social, com um estágio de um ano, não remunerado, na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, na área dos "deficientes profundos", nunca conseguiu encontrar colocação compatível com as suas habilitações.
Anos e anos de trabalhos precários em diversas áreas, sonhos adiados, expectativas defraudadas, desilusão e desmotivação, levaram-na a procurar alternativa no estrangeiro.
Encontrou. Hoje partiu.
Não foi para muito longe – 3,5 horas de avião.
Vou sentir muita falta dos seus silêncios, dos seus amuos, das suas birras, das suas ausências, dos seus protestos, das suas intransigências, da sua meiguice envergonhada.

Filhota, desejo-te os maiores sucessos. Nunca desanimes. Pensa que todos os obstáculos são ultrapassáveis. Vê a vida de forma positiva.
Lembra-te que aqui, neste país que não soube aproveitar o teu amor desmesurado pelos necessitados, estão todos aqueles que gostam de ti.
Estou triste…

3 comentários:

  1. é assim que se vê o grande amor que têm uma pela outra... à minha sogra apenas posso acalmar o coraçao de mãe com mimos que lhe envio da neta de vez em quando. um xi coraçao muito grande vó teresa e à tia xuxu um beijo grd cheinho de coisas boas xxx

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  2. Obrigada Patricia,
    A vida é assim... os filhos crescem e voam...
    E crescem muito depressa. Mas no coração da mãe continuam pequeninos, indefesos, impreparados para viver neste mundo cão.
    Sei que tenho dois filhos maravilhosos. Sei que teem de trilhar o seu próprio caminho. Sei que estão preparados para lidar com as situações difícies que venham a enfrentar. Eu sei tudo isso, mas... estou triste!!

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